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Notícias que movimentam o mercado de Energia Solar

Com drones e robôs, Auren monitora e limpa placas solares e aumenta em 7% sua capacidade de geração de energia.

09/12/24 | São Paulo

Empresa, que adquiriu a distribuira AES em outubro, também possui quatro drones para monitoramento de falhas em complexos nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Piauí

Reportagem publicada pelo Época Negócios

O Brasil ocupa o 6º lugar em capacidade instalada de energia solar no mundo, após atingir a marca de 50 gigawatts (GW) de potência acumulada no final de novembro, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Nas primeiras colocações estão Estados Unidos, China, Alemanha, Índia e Japão, nesta ordem.

De janeiro a outubro, foram instaladas 119 usinas solares no país, que adicionaram 4,54 GW de potência elétrica no Brasil. Com alta tecnologia embarcada, as placas solares exigem acompanhamento técnico para oferecer maior eficiência na geração de energia.

Nos Complexos Solares Ouroeste e Guaimbê, em São Paulo, no Complexo Sol de Jaíba, no norte de Minas Gerais, e no Complexo Sol, do Piauí, sete robôs e quatro drones da Auren Energia — empresa que adquiriu a AES, em outubro — são utilizados para monitoramento e limpeza dos painéis fotovoltaicos. As placas ficam sujas no período de baixa umidade do ar, com a dispersão de poeira, e cheias de fuligem, quando há focos de incêndio na região em que estão instaladas.

Os equipamentos foram adotados em fase de testes em 2021 e passaram por ampliação e atualização neste ano para aumentar a capacidade de limpeza de módulos em até cinco vezes, contribuindo para um aumento de aproximadamente 7% na capacidade de geração de energia solar da empresa.

De acordo com Luís Paschoalotto, gerente executivo de geração solar da Auren Energia, os sete robôs da empresa têm capacidade para limpar mais de 20 mil módulos de painéis solares por dia ou até 4.000 por hora.

Na prática, o equipamento funciona como um trator que possui uma escova rotativa de até sete metros de altura, com velocidade de até 6 km/h, que pode ser controlado por um funcionário dentro de uma cabine por meio de um joystick.

“Em geral, cada complexo possui mais de 500 mil módulos solares e, para que se garanta uma performance adequada das plantas solares, sobretudo em períodos de seca, é necessário realizar a limpeza das superfícies dos módulos diariamente”, afirma Paschoalotto.

Os drones, por sua vez, agilizam a identificação dos problemas e reparo das falhas, garantindo um ganho de 50% na eficiência da operação. “Considerando que cada um dos nossos complexos solares ocupam áreas de centenas de hectares, seria preciso mobilizar uma equipe de quatro pessoas por oito semanas para percorrer todo o perímetro e interior da área total”, calcula o gerente.

Para aquisição dos equipamentos, a empresa investiu de R$ 2,5 milhões. Além de utilizar os drones para monitorar os painéis fotovoltaicos, a Auren também adota a tecnologia para combate a focos de incêndio a partir de sensores térmicos. “Um dos maiores desafios é a necessidade de constante inovação e inteligência de dados para garantir eficiência em meio à transição energética e descarbonização mundial”, conclui Paschoalotto.

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Hidrogênio verde e armazenamento de energia elétrica: novas fronteiras de desenvolvimento da fonte solar

Artigo publicado no Canal Energia

Por: Rodrigo Sauaia – CEO da ABSOLAR | Ronaldo Koloszuk – Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

As fontes renováveis em operação no Brasil, especialmente a fotovoltaica, podem ganhar mais um impulso importante com o desenvolvimento das novas tecnologias de hidrogênio verde (H2V) e armazenamento de energia elétrica (battery energy storage system – BESS), já que possuem sinergia direta com as energias solar e eólica. A implantação de projetos de H2V e BESS terá papel fundamental para aprofundar ainda mais a participação das fontes renováveis e contribuir para a descarbonização da matriz elétrica e da economia brasileiras.

Pujante em diversos países do mundo, o mercado de armazenamento no Brasil começa a dar seus primeiros passos. Ainda há a lacuna de arcabouços legal e regulatório robustos e de políticas públicas que estimulem seu uso no País. Neste sentido, há a necessidade de avançar com a construção de uma regulamentação favorável, processo em andamento na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), por meio da Consulta Pública ANEEL nº 039/2023. Esta Consulta Pública, se bem conduzida pelo regulador, poderá representar para o armazenamento de energia elétrica uma mudança de paradigma, ou seja, uma evolução transformacional, em favor do uso da tecnologia no País. Isso inclui, entre outros pontos, a definição de regras claras para o agente armazenador, que tragam previsibilidade e segurança jurídica para investimentos em suas diversas aplicações na geração, transmissão, distribuição e no consumo de energia elétrica.

Outro dentre os principais desafios nesta área é a implementação de medidas para a equalização da carga tributária (redução de impostos sobre as baterias), justamente para tornar a tecnologia acessível a todas as camadas da população, para uso pelos consumidores. Atualmente, a carga tributária sobre baterias chega a somar mais de 80%, o que inviabiliza diversas aplicações possíveis no mercado. Equiparar estes impostos aos aplicados às fontes renováveis, uma medida de isonomia amplamente justificável, solucionaria a questão e abriria imensas oportunidades ao Brasil na atração de investimentos e geração de empregos verdes neste novo segmento, no qual não há arrecadação significativa do Governo Federal, nem de Estados ou Municípios.

Estudo recente da GIZ (Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), aponta que o Brasil possui, atualmente, cerca de 150 megawatts-hora (MWh) em sistemas de armazenamento de energia elétrica implementados e em operação. A grande maioria desses sistemas são instalações de pequeno porte, localizadas em regiões remotas da Amazônia e no interior dos estados. Também existem alguns sistemas operados por clientes comerciais e industriais, bem como um de maior porte, na subestação de Registro, no estado de São Paulo, com capacidade de 60 MWh.

As baterias representam uma oportunidade estratégica para a ampliação das fontes renováveis, dadas suas múltiplas aplicações e inúmeros benefícios, podendo atender tanto consumidores residenciais, comerciais, industriais e rurais, com instalações próprias, bem como grandes agentes de geração, transmissão e distribuição que fornecem energia elétrica em larga escala ao País.

Com o hidrogênio verde, por sua vez, o Brasil pode iniciar uma trajetória nunca vista de desenvolvimento econômico, social e ambiental, a partir da aceleração do processo de transição energética que este combustível limpo e versátil pode proporcionar.

Segundo estudo da consultoria Mckinsey, o Brasil poderá dobrar o tamanho de sua matriz elétrica até 2040, exclusivamente para a produção do H2V. Isso significa um total de mais de R$ 1 trilhão em novos investimentos no período, destinados à geração de eletricidade, construção de novas linhas de transmissão e implantação de unidades fabris do combustível e de infraestruturas associadas, incluindo terminais portuários, dutos e armazenagem.

Na prática, o Brasil está diante da oportunidade de se tornar um dos maiores produtores e exportadores de hidrogênio verde do planeta, já que as economias mais desenvolvidas do mundo buscam fornecedores parceiros, capazes de produzir e entregar o H2V com preços competitivos. Além da exportação do combustível limpo, o H2V brasileiro terá papel importante no mercado doméstico, contribuindo para o atingimento das metas de sustentabilidade e métricas ESG, inclusive em setores e atividades produtivas de difícil descarbonização, como siderurgia e transporte pesado, por exemplo.

Diante das promissoras perspectivas desses dois mercados no País, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) receberá, em sua sede, autoridades públicas, representantes do setor produtivo, especialistas e lideranças e associados da Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (ABSOLAR), para um grande debate sobre novos negócios que têm surgido nestas áreas. Organizado pela ABSOLAR, o encontro acontece no próximo dia 3 de abril, a partir das 8 horas.

A transição energética no Brasil e no mundo passa pela ampliação dos investimentos em fontes renováveis, combinados com as tecnologias de armazenamento de energia elétrica e de hidrogênio verde. Neste momento, o desafio do País é destravar estes imensos novos mercados, com potencial de atração de investimentos bilionários, geração de milhares de empregos verdes, aumento de segurança de suprimento de energia e mais autonomia para os consumidores e a própria sociedade.

Solar 2.0: como sistemas de armazenamento trazem novo crescimento da fonte

Artigo publicado no Fotovolt

Por: André Gellers – Country Manager da Nansen Solar | Rodrigo Sauaia – CEO da ABSOLAR | Ronaldo Koloszuk – Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

O crescimento exponencial que o setor solar fotovoltaico vivenciou no Brasil desde 2012 se deparou com importantes desafios em 2023. Mesmo sendo um ano de grandes conquistas para o mercado, com mais de 10 gigawatts (GW) de potência adicionada, o resultado foi aquém das projeções de diversas empresas e abaixo do potencial. Fatores regulatórios, dificuldade de acesso à rede elétrica e alegações arbitrárias de inversão de fluxo de potência na geração distribuída solar trouxeram grandes desafios para os empreendedores do setor.

Contudo, diversas evidências continuam mostrando que, cada vez mais, a possibilidade de gerar sua própria eletricidade, barata e sustentável, é estratégica para o futuro. As condições geopolíticas trazem uma incerteza sobre as cadeias de suprimentos, inclusive de combustíveis. Os eventos climáticos estão cada vez mais intensos. A qualidade da energia elétrica tem piorado significativamente, com frequentes interrupções de fornecimento, mesmo em grandes centros urbanos.

Nesse cenário, os sistemas de armazenamento associados à geração fotovoltaica representam o próximo passo na descarbonização do setor elétrico. Estes sistemas, além de estarem conectados à rede elétrica, são associados a bancos de baterias e atraem cada vez mais atenção, devido às vantagens que proporcionam aos consumidores e usuários, mesmo no atual sistema de compensação de energia elétrica, quando o excedente é injetado na rede, gerando créditos para abatimento futuro.

Embora o preço das baterias de íons de lítio tenha caído 82% em 10 anos, segundo dados da BloomberNEF, com importante aumento de eficiência e de capacidade, seus valores ainda são considerados elevados. Porém, uma análise das vantagens dos sistemas solares com baterias demonstra que os benefícios vão muito além da economia financeira imediata. Eles abrem novas e interessantes possibilidades, sendo uma firme tendência para a consolidação das energias renováveis.

A tecnologia de armazenamento de energia elétrica atua no ponto mais crítico para a inserção de fontes renováveis: a variabilidade. Atuando juntamente com sistemas de gerenciamento, as baterias oferecem maior disponibilidade, confiabilidade e flexibilidade, entregando eletricidade mesmo quando a radiação solar (na energia solar) ou o vento (na energia eólica) não estão disponíveis. Com isso, os sistemas de armazenamento garantem a disponibilidade de energia durante eventos de interrupção na rede elétrica, aumentando a segurança energética e a qualidade de vida dos usuários.

Sistemas solares associados a baterias amenizam inclusive os desafios de inversão de fluxo de potência nas redes, pela sua capacidade de armazenar excedentes durante o dia, para despacho em momentos mais propícios, facilitando o cumprimento de exigências de conexão das distribuidoras.

As baterias contribuem ainda para ampliar o acesso à energia elétrica em localidades remotas ou isoladas. Neste caso, sistemas solares “off-grid” (ou isolados) têm beneficiado as populações carentes, dentro de programas sociais estratégicos, como o Programa Luz Para Todos. Assim, possibilitam a descarbonização da Amazônia e do agronegócio.

Nos setores comercial e industrial, o armazenamento reduz ou evita a compra de energia elétrica no horário de ponta, quando a eletricidade pode atingir preços exorbitantes. Isso, pois o excedente de energia elétrica gerado nos horários de maior irradiação solar pode ser guardado e utilizado durante o horário de ponta, técnica conhecida como “peak shaving”.

Existem muitos outros benefícios do uso de sistemas de armazenamento de energia elétrica associados à geração solar ou renovável que se consolidarão como atividades viáveis e sustentáveis. Alguns exemplos incluem a arbitragem de preços de energia; a gestão da frota de veículos elétricos; a automação de processos fabris; a integração de inteligência artificial em atividades produtivas; entre outros.

É inegável que a energia solar fotovoltaica já atingiu uma participação e um papel de destaque na matriz elétrica brasileira. Nos próximos anos, ao ser associada a sistemas de armazenamento de energia elétrica, será possível acelerar o crescimento da fonte solar e elevar sua participação na matriz a patamares cada vez mais altos.

A evolução tecnológica fotovoltaica e seus benefícios ao Brasil

Artigo publicado no Fotovolt

Por: Maykow Torres – CEO da Fortlev | Rodrigo Sauaia – CEO da ABSOLAR | Ronaldo Koloszuk – Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

Na última década, o setor solar fotovoltaico brasileiro tem vivenciado um crescimento robusto, impulsionado por uma combinação de fatores favoráveis, incluindo a excelente disponibilidade de recurso solar em todas as regiões do País, o desenvolvimento e implementação de políticas públicas adequadas para a tecnologia em território nacional, as melhorias na regulamentação, a crescente conscientização sobre sustentabilidade e a evolução da tecnologia, com forte redução dos preços de seus equipamentos. Apenas nos últimos sete anos, a capacidade instalada da fonte solar fotovoltaica no Brasil aumentou mais de 40 vezes, saltando de aproximadamente 1 gigawatt (GW) em 2017 para mais de 42 GW nos primeiros meses de 2024.

Este cenário promissor, entretanto, vem acompanhado de desafios inerentes a um mercado em rápida evolução, bem como de oportunidades únicas para empreendedores, investidores e consumidores. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), em 2023 o setor solar trouxe ao Brasil investimentos que superam os R$ 59 bilhões, evidenciando o potencial socioeconômico e a confiança no mercado solar brasileiro.

Um dos principais desafios enfrentados pelo setor solar brasileiro é a volatilidade dos preços dos componentes e equipamentos fotovoltaicos, especialmente módulos fotovoltaicos, inversores e estruturas de suporte. Esta volatilidade é influenciada por uma série de fatores globais, incluindo flutuações nas tarifas de importação, variações cambiais e a dinâmica internacional da oferta e demanda por estes componentes e equipamentos nos mercados.

A complexidade da cadeia de suprimentos global de componentes e equipamentos fotovoltaicos repercute na disponibilidade e no custo dos produtos em diversos mercados, incluindo o Brasil. Alguns eventos mais recentes, como o ataque pirata no canal de Suez, secas no canal do Panamá, disputa por disponibilidade de espaço nas embarcações que fazem a logística internacional de bens, crescentes tensões geopolíticas e conflitos armados em certas parte do globo, podem trazer efeitos diretos e indiretos nos mercados fotovoltaicos.

Neste contexto, o Brasil tem assumido um protagonismo importante na transição energética global, impulsionado sobretudo pelo avanço dos investimentos na expansão da geração a partir de fontes renováveis, com destaque para a solar, especialmente a partir de 2012.

Um dos pontos centrais neste processo é o maior acesso da tecnologia fotovoltaica pela sociedade em geral, resultado dos fortes investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação realizados pelo setor. A consequência destes investimentos foi uma significativa redução de preços nos equipamentos aos consumidores, empreendedores e produtores rurais brasileiros.

Estima-se que, em 2023, os módulos fotovoltaicos ficaram cerca de 50% mais baratos em relação ao ano anterior, fruto, em grande medida, das positivas relações comerciais com parceiros internacionais e do avanço do ambiente interno de negócios. Um fator determinante que contribuiu para essa queda é o aumento expressivo da capacidade produtiva global dos equipamentos no último ano.

A rápida mudança de preços em componentes e equipamentos tem provocado uma competição positiva em termos de relevância no mercado. Com isso, empresas bem-informadas sobre o ambiente doméstico e externo aproveitam as janelas de oportunidades que surgem neste processo para inovar nas suas operações, de forma a contribuir diretamente para a diminuição dos custos totais (capital expenditure – CAPEX) de um sistema solar, fazendo com que produtos nacionais também ocupem um papel determinante no processo de precificação.

Como exemplo, estão as recentes em estruturas de suporte para uso em telhados e em solo, com fabricação nacional, ainda mais leves, dinâmicas e práticas para montagem de usinas solares. Estes componentes nacionais contribuem, de forma positiva, para a redução do custo nivelado de energia elétrica (levelized cost of electricity – LCOE) gerada a partir de sistemas fotovoltaicos. Tais tecnologias também melhoram a eficiência e a qualidade dos sistemas fotovoltaicos oferecidos.

Adicionalmente, há diversos componentes nacionais que são cada vez mais relevantes para o setor solar fotovoltaico brasileiro, incluindo: rastreadores solares (trackers), materiais elétricos (cabos, caixas de junção, quadros elétricos), transformadores, entre outros. A demanda crescente por estes componentes também contribui para o fortalecimento da demanda por matérias primas nacionais, agregando valor para indústrias de base do País, responsáveis pela produção de alumínio, aço, polímeros e outros componentes fundamentais na produção dos produtos fotovoltaicos nacionais.

Portanto, o setor solar no Brasil tem uma oportunidade única para crescimento e fortalecimento ainda maiores. É notável o crescente protagonismo de uma inteligência doméstica, que se alia às tecnologias externas. Todos ganham com tais evoluções: consumidores, empreendedores, fabricantes, investidores, governos e, principalmente, a população e a sociedade brasileiras.

Crescimento do setor solar e desafios da profissionalização

Artigo publicado no Fotovolt

Por: Luzer Oliveira – Coordenador Estadual da ABSOLAR em Pernambuco e Head de Energia Solar na Connectoway Solar | Rodrigo Sauaia – CEO da ABSOLAR | Ronaldo Koloszuk – Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

 

O mercado de energia solar no Brasil, sobretudo na geração própria, é bastante relevante e coloca a nação em destaque no ranking mundial de países com maior presença da fonte fotovoltaica nas matrizes elétricas. Aqui, o setor oferece diversas oportunidades para investidores, empresas e consumidores interessados em adotar essa fonte limpa e sustentável.

Vamos aos números: a geração própria solar acaba de ultrapassar a marca de 26 gigawatts (GW) de potência instalada em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos no Brasil, com mais de 3,3 milhões de unidades consumidoras atendidas pela tecnologia fotovoltaica e a geração de mais de 780,1 mil empregos verdes acumulados desde 2012.

Ao longo dos anos, com o apoio constante da ABSOLAR, muitos desafios foram vencidos pelo setor solar. Muitos pequenos e médios empreendedores entraram no setor de maneira informal e foram evoluindo, se capacitando e profissionalizando cada vez mais.

Agora, com maior robustez do setor, o desafio para se firmar no mercado e continuar crescendo é cada vez maior. A profissionalização de quem deseja evoluir não é mais uma opção: ela é necessária, principalmente para os instaladores e integradores, que atuam em um mercado mais pulverizado e de menor barreira de entrada, ou seja, onde a competição é cada vez mais ferrenha.

Ainda há certa informalidade em parte das empresas e pouca estruturação na prestação de serviços que geram faturamento recorrente. Há cinco tipos de serviços que precisam de evolução destes empreendedores:

  1. Acompanhamento dos créditos e da compensação de energia elétrica nas contas dos clientes com sistemas de geração própria solar já instalados e em operação;
  2. Tratativas com a concessionárias de energia elétrica, para a resolução de problemas ocorridos após a conexão do sistema fotovoltaico às redes de distribuição;
  3. Limpeza periódica dos módulos fotovoltaicos;
  4. Intermediação das garantias dos fabricantes; e
  5. Monitoramento e substituição de equipamentos avariados ou com defeito.

Todos estes serviços podem ser oferecidos aos clientes como um pacote, no ato da venda, de forma profissional e bem apresentada. Também existem várias formas de dar o primeiro passo, para implantar um bom serviço de pós-venda que atenda e dê mais segurança para os investidores e consumidores.

Hoje, já é possível, por exemplo, oferecer soluções inovadoras, como equipamentos reserva, cashback, plano de extensão de garantias, recompensas pela indicação de novos clientes, entre outros. Veja a seguir dicas para os integradores que desejam dar os primeiros passos na direção:

  • Fidelização de Clientes: Um forte programa de pós-vendas contribui para a fidelização de clientes. Clientes satisfeitos têm maior probabilidade de continuar comprando de uma empresa ao longo do tempo, o que leva a uma receita recorrente.
  • Renovações de Contratos e Assinaturas: Em muitos modelos de negócios baseados em assinaturas ou contratos recorrentes, o pós-vendas desempenha um papel importante na renovação desses contratos. Um bom suporte pós-venda pode convencer os clientes a renovar seus contratos ou assinaturas.
  • Upselling e Cross-selling: O pós-vendas é uma oportunidade para fazer upselling (vender um produto ou serviço de maior valor) e cross-selling (vender produtos ou serviços adicionais). Isso pode aumentar o valor médio do pedido e, consequentemente, o faturamento recorrente.
  • Redução da Churn Rate: Uma estratégia eficaz de pós-vendas pode ajudar a reduzir a chamada “churn rate” (taxa de cancelamento de clientes). Ao resolver rapidamente os problemas dos clientes, oferecer suporte de qualidade e manter um relacionamento próximo, é mais provável que os clientes permaneçam fiéis à empresa.
  • Feedback para Melhoria Contínua: O pós-vendas também fornece uma oportunidade para coletar as impressões dos clientes sobre a empresa, seus produtos e serviços. Esse feedback pode ser usado para melhorar produtos, serviços e processos, o que, por sua vez, pode aumentar a satisfação do cliente e a probabilidade de retenção.
  • Referências e Recomendações: Clientes satisfeitos são mais propensos a recomendar uma empresa a outros. Um bom programa de pós-vendas pode estimular essas referências e recomendações, o que pode levar a novos clientes e aumentar o faturamento recorrente.

Em resumo, o integrador solar precisa, cada vez mais, se profissionalizar e se comportar como empresa especializada do setor fotovoltaico. Os diferenciais competitivos, a presença no meio digital e a satisfação do cliente serão cada vez mais importantes. E você, já está preparado para estas oportunidades?

Energia solar acessível para todos

Artigo publicado no Fotovolt

Por: Mário Viana, diretor comercial e de marketing da Sou Energy | Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR | Ronaldo Koloszuk, Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

O Brasil é um dos países do mundo que mais recebe radiação solar. Com isso, nosso país detém um potencial imenso para o aproveitamento dos raios solares na geração de energia elétrica, a partir da tecnologia fotovoltaica. De acordo com o Atlas Brasileiro de Energia Solar 2ª Edição, a irradiação solar diária no país varia entre 3,5 e 6,3 kWh/m².dia. No Nordeste, a irradiação solar diária média está na faixa de 5,5 kWh/m².dia, sendo a região com maior irradiação solar média do Brasil. Por outro lado, mesmo a região Norte, região com a menor irradiação solar média do país, com cerca de 4,7 kWh/m².dia, possui mais potencial para o aproveitamento da luz solar na geração de eletricidade limpa e renovável do que países líderes no setor, como a Alemanha ou Japão. Apesar disso, atualmente pouco aproveitamos desse potencial.

Após 12 anos da publicação da primeira resolução normativa que autorizou o consumidor a gerar a sua própria energia elétrica renovável, apenas 3,5% das unidades consumidoras brasileiras já fazem uso de créditos de energia elétrica da geração própria solar. Alguns fatores, como falta de poupança, dificuldade de acesso ao crédito e altas taxas de juros têm sido apontados como desafios que têm limitado o crescimento da quantidade de consumidores com geração fotovoltaica de pequeno e médio portes.

Existem basicamente quatro formas diferentes de participação nesse universo da geração própria renovável: (i) a instalação de um sistema solar fotovoltaico no imóvel ou terreno de um consumidor final e uso dos créditos de energia elétrica nesta mesma unidade consumidora (via geração local); (ii) a instalação de um sistema solar no imóvel ou terreno de um consumidor final e uso dos créditos de energia elétrica em outra unidade consumidora do mesmo titular (via autoconsumo remoto); (iii) a reunião de consumidores de um condomínio para instalação de um sistema solar fotovoltaico e uso dos créditos de energia elétrica em área comum ou privativa do mesmo condomínio (via empreendimento de múltiplas unidades consumidoras – EMUC); e (iv) a geração fotovoltaica em local distinto da unidade consumidora do consumidor final e uso dos créditos de energia elétrica por meio de consórcio, cooperativa, associação ou condomínio (via geração compartilhada). Todos estes modelos oferecem oportunidades para os consumidores aproveitarem os benefícios da energia solar, mas apresentam características e desafios distintos.

A instalação de um sistema próprio de geração solar garante que o consumidor seja proprietário dos seus equipamentos, permitindo uma maior economia imediata na conta de energia elétrica e diminuindo o tempo de retorno do seu investimento. No entanto, a aquisição do sistema fotovoltaico requer um investimento inicial, seja com recursos próprios ou via financiamento em bancos, fintechs ou cooperativas de crédito.

Já no caso da geração compartilhada, a modalidade oferece uma alternativa para aqueles que não possuem poder de compra, habitam imóveis alugados ou não têm telhado disponível para instalar um sistema solar no imóvel, como é o caso de apartamentos e de escritórios comerciais em prédios.

Em uma das formas de modelo de negócio da geração compartilhada, o consumidor assina um contrato com uma empresa especializada em energia solar fotovoltaica, que fica responsável por todo o projeto, instalação, operação, manutenção do sistema e administração da estrutura jurídica e dos créditos de energia elétrica gerados. Neste caso, o sistema é normalmente instalado em uma localização distinta da unidade consumidora que utilizará os créditos de energia elétrica, mas dentro da mesma área de concessão. O consumidor, por sua vez, faz uso de parte ou de todos os créditos de energia elétrica, para a redução da sua conta de luz, correspondente à sua participação no empreendimento. Embora o consumidor pague um valor mensal pela operação, neste caso o sistema fotovoltaico não é de sua propriedade efetivamente.

Para popularizar ainda mais o acesso à energia solar via uma solução simples e de fácil adesão, surgiu um novo modelo de negócios que promete a instalação do gerador de energia solar no telhado do consumidor, sem que este tenha que pagar por isso.

Neste caso, o consumidor percebe um benefício de redução de gastos com energia elétrica durante o período do contrato, resultado do sistema solar instalado na edificação. A diferença básica entre este modelo e o de geração compartilhada é que, de imediato, o cliente recebe a posse do sistema fotovoltaico e, após transcorrido um período previsto no contrato, a propriedade do sistema solar é transferida integralmente para ele.

Este novo modelo oferece aos consumidores uma oportunidade facilitada de se tornarem geradores de sua própria energia elétrica, limpa, renovável e acessível, sem qualquer investimento inicial, trazendo economia com a redução de sua despesa com eletricidade. Também abre novas oportunidades de trabalho e renda para profissionais que queiram atuar junto aos integradores de energia solar, estimulando o crescimento econômico e a geração de renda no Brasil.